Anthropic · 26/10
A empresa do Claude vai entrar na bolsa e abriu as contas
A Anthropic entregou o prospeto para entrar na Nasdaq. Faturou 16,3 mil milhões de dólares num semestre, 14 vezes mais do que um ano antes, e conta os incidentes dos seus modelos.

A Anthropic, a empresa que faz o Claude, entregou a 26 de outubro ao regulador dos EUA o prospeto para entrar na bolsa: o documento que uma empresa tem de tornar público antes de vender ações. Foi fundada em 2021 por Dario Amodei e pela irmã, Daniela, vindos da OpenAI, e chega à bolsa antes dela. As ações vão ser negociadas na Nasdaq com o símbolo ANT, e a estreia está prevista para o fim de novembro.
As contas. No primeiro semestre de 2026, a Anthropic faturou 16,3 mil milhões de dólares, 14 vezes mais do que um ano antes (1,2 mil milhões). Em todo o ano de 2025 tinha faturado 4,6 mil milhões. Entre abril e junho faturou 11,6 mil milhões e teve um resultado operacional positivo de 974 milhões, o primeiro dos seis trimestres que o prospeto mostra.
Quem paga. A 30 de setembro, mais de 11 900 clientes tinham pago mais de 100 mil dólares nos últimos 12 meses. Um ano antes eram 950. Cerca de 1 900 pagam mais de 1 milhão e perto de 250 mais de 10 milhões. Os cinco maiores clientes valem cerca de 25% da faturação, e 48% das vendas passam pelas lojas de nuvem da Amazon, da Google e da Microsoft.
Para onde vai o dinheiro. A maior fatia vai para computadores: 8,9 mil milhões em computação e infraestrutura no semestre. A Anthropic comprometeu-se a gastar pelo menos 114,5 mil milhões na Google até 2033 e 110 mil milhões na Amazon até 2036, mesmo que não os use. Tinha 131,7 mil milhões em caixa e aplicações a 30 de junho. O prejuízo do semestre foi de 80,7 mil milhões, mas 72,4 mil milhões são uma regra contabilística sobre a dívida que os investidores vão converter em ações, sem saída de dinheiro.
O que o prospeto conta. Num teste de cibersegurança mal configurado por um parceiro, quatro modelos da Anthropic ficaram ligados à internet e entraram em sistemas reais de outras empresas. Um deles usou uma palavra-passe que encontrou para chegar a administrador e leu dados pessoais de uma pessoa; os afetados foram avisados. A empresa adiou também mais de um mês o treino de um modelo novo, para reforçar a proteção contra o roubo do próprio modelo, e estima que 5 a 7% da faturação deste ano veio de clientes que violavam as regras de uso, até serem detetados e bloqueados.
Quem manda. Os sete cofundadores ficam com 50,1% dos votos através de uma única ação especial. A Anthropic está registada como empresa de benefício público, o que a obriga a equilibrar o lucro com a missão que declarou, e um fundo independente, o Long-Term Benefit Trust, nomeia parte da administração. Cada cofundador comprometeu-se a doar 80% das suas ações.
Quanto vale. Na última ronda privada, em maio, foi avaliada em 965 mil milhões de dólares. O preço das ações ainda está em branco no prospeto; a imprensa norte-americana fala em até 2 biliões de dólares.
O que muda para as empresas. O fornecedor do Claude passa a publicar contas a cada trimestre e deixa por escrito os seus riscos: incidentes, uso indevido e dependência de poucos fornecedores. E quase metade das vendas já passa pela Amazon, pela Google e pela Microsoft, o que permite comprar o Claude com os contratos de nuvem que a empresa já tem.
Fontes
- Anthropic files S-1 with the SEC for proposed initial public offering · Anthropic, 2026-10-26
- Anthropic, PBC: Form S-1 Registration Statement · SEC, 2026-10-26
- Anthropic's IPO prospectus shows $16.3 billion in revenue, an $80.7 billion net loss, and goal of an 'age of miracles' · Fortune, 2026-10-26
- Anthropic publicly files IPO prospectus, noting strong revenue growth and massive spending · Yahoo Finance, 2026-10-26
- Anthropic's IPO filing shows $16.3bn of revenue and no plan to sell ads · PPC Land
