Google e OpenAI · 7/10
A Google abriu a todos um detetor de IA
Um site gratuito diz se uma imagem, um vídeo ou um áudio foi feito por inteligência artificial (IA). E o texto do ChatGPT passa a levar marca de água na União Europeia.

Uma fotografia, um vídeo ou uma gravação de voz feitos por inteligência artificial (IA) já enganam qualquer pessoa. Esta semana ficou mais fácil tirar a dúvida. A 7 de outubro, a Google abriu a toda a gente o SynthID Detector, um site gratuito que verifica se um ficheiro foi feito ou editado com IA. Dois dias antes, a OpenAI, a empresa que desenvolve o ChatGPT, anunciou que o texto do ChatGPT passa a levar uma marca de água invisível na União Europeia (UE).
7 de outubro, Google. O site é o synthid.com. Entra-se com uma conta Google, OpenAI ou Apple, carrega-se uma imagem, um vídeo ou um áudio e o site diz se encontrou a marca de água. Aceita os formatos mais comuns, de JPG e PNG a MP4 e MP3. Está aberto em todo o mundo, para já só em inglês. Até agora, a ferramenta estava reservada a jornalistas e investigadores, que a testavam desde maio de 2025.
Como funciona. O SynthID é uma marca de água, um sinal escondido que a ferramenta de IA põe no ficheiro no momento em que o cria: nos píxeis de uma imagem, nos fotogramas de um vídeo ou na onda de um som. Não se vê nem se ouve, mas um detetor encontra-o. A Google diz que já marcou mais de 180 mil milhões de imagens e vídeos e 240.000 anos de áudio desde 2023, e que recebe mais de um milhão de pedidos de verificação por dia na pesquisa, na aplicação Gemini e no Chrome.
Quem está dentro. O detetor reconhece o que sai das ferramentas da Google, como o Gemini, o Veo (vídeo) e o Lyria (música), e também de três parceiros: a OpenAI, que adotou o SynthID em maio de 2026, a NVIDIA, que fabrica os chips onde a IA corre, e a sul-coreana Kakao. A Apple junta-se em breve.
5 de outubro, OpenAI. A marca de água do texto chama-se textGrain. O modelo ajusta ligeiramente a escolha das palavras e deixa um padrão estatístico que o leitor não nota e que um detetor consegue medir. Chega nas próximas semanas ao ChatGPT e ao Codex, a ferramenta de programação da OpenAI, em todos os planos, mas só na UE. Fora da UE, as empresas que usam os modelos da OpenAI nos seus próprios produtos podem ligá-la se quiserem.
Os limites. O detetor só encontra a marca SynthID, por isso conteúdo feito com ferramentas de fora do grupo passa sem aviso. O resultado não distingue uma imagem feita de raiz de uma fotografia retocada com IA. E as marcas podem ser apagadas: segundo a publicação Implicator, um estudo mostrou que ferramentas de paráfrase removeram a marca de texto da Google em mais de 90% das tentativas. Um resultado negativo não prova que o conteúdo é verdadeiro.
E em Portugal? O synthid.com funciona cá desde o primeiro dia. A marca no texto do ChatGPT chega primeiro à UE por causa do regulamento europeu da IA: o artigo 50.º, em vigor desde 2 de agosto de 2026, obriga quem faz IA a marcar texto, imagem, áudio e vídeo de forma detetável por máquinas. As coimas vão até 15 milhões de euros ou 3% da faturação mundial, e os sistemas que já estavam no mercado têm até 2 de dezembro para cumprir.
A nossa leitura. O que uma empresa publica com ajuda da IA passa a poder ser verificado por qualquer cliente. Compensa decidir já as regras da casa. Na Vektrum Blueprint mapeamos onde a IA entra no trabalho e fixamos o que pode sair diretamente, o que uma pessoa revê e o que se declara ao cliente. Um exemplo ilustrativo: as imagens de uma campanha geradas por IA seguem com revisão humana e menção clara.
Fontes
- Google's new SynthID website can identify AI-generated media · TechCrunch, 2026-10-07
- Google opens SynthID Detector to everyone to check for AI-made media · The Next Web, 2026-10-07
- Google Opens SynthID Detector Globally With Partner AI Content Checks · Unite.AI
- OpenAI will start watermarking ChatGPT's text in the EU · TechCrunch, 2026-10-05
- ChatGPT Is Getting Invisible Watermarks for Text · Trending Topics
- Anthropic, EU watermarking and Article 50 of the AI Act · Implicator
