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Meta, Microsoft e OpenAI · 29/09

Meta, Microsoft e OpenAI lançaram agentes que trabalham por nós

Em seis dias, três gigantes lançaram agentes de inteligência artificial (IA) que continuam a trabalhar por nós, num computador próprio na nuvem, dentro das regras que lhes damos.

Mark Zuckerberg, Satya Nadella e Sam Altman, com os nomes dos agentes Muse, Autopilot e Dots

Até agora, usar inteligência artificial (IA) no trabalho era uma conversa: escrevíamos uma pergunta, recebíamos uma resposta e a IA ficava parada à espera da próxima. Nos últimos seis dias, a Meta, a Microsoft e a OpenAI lançaram agentes sempre ligados. Um agente é um programa de IA que recebe um objetivo e trabalha nele passo a passo, usando as aplicações a que lhe damos acesso. Estes novos agentes continuam a trabalhar durante dias, mesmo com o nosso computador desligado.

23 de setembro, Meta. Na conferência Meta Connect, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, mostrou as novidades do Muse, o agente pessoal que a empresa lançou nos Estados Unidos no início do mês. O Muse vai passar a usar o Mac sozinho, ter um endereço de email próprio e comprar ou reservar em parceiros como a Shopify, a Walmart e a Expedia. É gratuito: a Meta conta ganhar uma pequena comissão em cada compra.

25 de setembro, Microsoft. A Microsoft redesenhou o Copilot, o seu assistente de IA, e juntou-lhe o Autopilot. Damos-lhe um nome, uma função e um objetivo, e ele vive dentro do Microsoft 365 com identidade e memória próprias. Chama-se no Teams ou no Outlook, como um colega. O exemplo dado pela Microsoft é conduzir um processo de avaliação de fornecedores: montar o calendário, preparar as reuniões e pedir atualizações às pessoas envolvidas. Entra em pré-visualização privada no fim de setembro.

29 de setembro, OpenAI. Na DevDay, a conferência anual da OpenAI, Sam Altman apresentou os Dots. Cada Dot tem um computador e um browser próprios na nuvem, liga-se a mais de 4.000 aplicações e fala connosco pelo ChatGPT, pelo Slack ou pelo Teams. O utilizador define regras: o que o agente pode fazer sozinho, o que fica bloqueado e o que precisa de aprovação. Um programador contou que o seu Dot reparou numa fatura por enviar, preparou-a a partir da troca de emails e enviou-a depois de ele aprovar.

Três modelos de negócio. O Muse é para consumidores e é gratuito: a Meta quer ganhar com uma pequena comissão nas compras. O Autopilot é para empresas e paga-se pelo uso, porque a licença do Copilot passa a cobrir só o chat e o Office. Os Dots estão incluídos nos planos Pro e Business Premium do ChatGPT.

O passo seguinte: agentes com cargo. A OpenAI já testa dentro de portas "Dots especialistas" em compras, faturação, email marketing, apoio ao cliente e contratos. Cada um tem credenciais e acesso aos sistemas da empresa. Nos primeiros pilotos com clientes, os engenheiros da OpenAI definem com cada empresa as responsabilidades do agente, as ferramentas que pode usar e quem aprova o quê.

E em Portugal? Para já, a Europa fica quase toda de fora. O Muse só existe nos Estados Unidos e no Canadá. Os Dots do plano pessoal Pro estão bloqueados em todo o Espaço Económico Europeu, na Suíça e no Reino Unido. A exceção são as empresas: os Dots estão a chegar ao plano ChatGPT Business Premium (125 dólares por utilizador e por mês) em todas as regiões, Europa incluída. As empresas não explicaram o atraso, mas estes agentes leem emails, calendários e pagamentos, e na União Europeia isso obriga a cumprir o RGPD e o regulamento europeu da IA.

A nossa leitura. Nem a OpenAI entrega um agente a uma empresa sem antes definir o que ele faz e quem aprova. Um agente só é útil se souber como a empresa trabalha: que processos segue, que ferramentas usa, o que pode fazer sozinho e o que precisa de aprovação. Na Vektrum Blueprint fazemos esse trabalho: mapeamos os processos, escolhemos as tarefas que compensa delegar e fixamos as regras de aprovação. Um exemplo ilustrativo: um agente que prepara as faturas a partir dos emails e só as envia depois de alguém aprovar.

Fontes

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